Jornalista Rodrigo França analisa vitória de Kimi Antonelli no GP da Espanha de F1

Um GP aguardado com muita expectativa desde o começo do ano, repleto de celebridades, ações com patrocinadores em um circuito de rua extremamente desafiador e que exigiu a máxima concentração dos pilotos. É uma descrição que serve tanto para o tradicional GP de Mônaco quanto para a estreante prova no circuito de Madring, na capital da Espanha. E nas duas pistas, a vitória ficou com Kimi Antonelli.

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O problema é que, assim como no circuito monegasco, o domingo foi repleto de ação fora da pista, mas pouca chance de ultrapassagem, tornando assim a prova a mais entendiante para os pilotos, e, claro, para o público.
Kimi Antonelli acena após vencer o GP da Espanha de F1 2026 — Foto: Jakub Porzycki/Reuters
Pena que isso tenha acontecido em uma prova aguardada com muita expectativa como Madri. A classificação inclusive foi uma das mais emocionantes do ano, com quatro equipes lutando pela pole até o minuto final, e com os quatro melhores times (McLaren, Mercedes, Red Bull e Ferrari) ocupando as quatro primeiras colocações.
Isso mostra que a F1 vive um ótimo momento, respirando com alívio a um início do ano em que o regulamento novo parecia que poderia criar um domínio completo da Mercedes – algo que a rápida reação de Ferrari e McLaren impediu.
Até mesmo o gerenciamento de energia, que ainda impede que curvas de alta velocidade, como a própria La Monumental, sejam ainda mais desafiadoras, já tem melhorado bastante desde as mudanças recentes trazidas pela própria FIA para tirar a dependência do motor elétrico.
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O problema em Madri, no entanto, foi o desenho da pista, que se mostrou fantástico para uma volta rápida, para desafiar os pilotos a encontrar o limite andando sempre perto do muro (como em Mônaco), mas sem um ponto claro de ultrapassagem.
Uma longa reta seguida de uma curva em cotovelo, por exemplo, ou uma curva que permita dois traçados diferentes para que o piloto atrás possa arriscar uma manobra (como a primeira curva de COTA, em Austin, ou o próprio S do Senna em Interlagos).
A boa notícia para o fã é que, em Madri, a chance de mudar isso existe, pois há bastante espaço em áreas próximas ao pavilhão IFEMA, ao contrário das apertadas e históricas ruas de Monte Carlo. E fica também um aprendizado para FIA e F1 para consultar mais pilotos para trazer mais pontos de emoção nas próximas estreias de circuitos.
Outro ponto bastante comentado em Madri foi a questão da sorte do safety car virtual, que acabou sendo decisiva para a vitória de Kimi Antonelli, que ganhou uma “parada grátis”, economizando muito tempo ao parar sob este regime de prova, ainda mais na pista espanhola, que tem o pit lane mais longo do ano.
A Mercedes usou a estratégia com inteligência, chamando o italiano assim que ficou claro que haveria algum tipo de intervenção (virtual ou safety car “completo") no incidente do carro de Lance Stroll.
Stroll causa safety car virtual; Norris tem pit stop demorado e perde posições
Isso não tira o mérito do líder do campeonato, é claro. Pelo contrário, nas primeiras voltas, Antonelli mostrou que de fato não corre apenas pensando em pontos, e sempre atrás da vitória, tentando um ataque por fora na primeira volta que acabou sendo obrigado a devolver a posição para Norris.
No sábado, o italiano da Mercedes perdeu a pole por apenas 11 milésimos, então de certa forma o que faltou de sorte na classificação acabou vindo na corrida. Com o resultado, fica cada vez mais comprovado que Antonelli faz uma temporada 2026 digna de campeão mundial.
A sorte também costuma acompanhar os campeões e isso ficou claro para o italiano em Madri. Seus dois maiores concorrentes, seu companheiro de equipe, George Russell, e Lewis Hamilton, da Ferrari, tiveram final de semana para ser esquecido – especialmente para o heptacampeão mundial, que abandonou a corrida com problemas nos freios.
Lewis Hamilton abandona o GP da Espanha de F1 2026 — Foto: Reprodução
O GP em Madri também foi positivo para ver Max Verstappen novamente na briga pelas primeiras posições e Lando Norris aparecendo com mais potencial para ser o piloto a incomodar Antonelli na briga pelo título – mas ainda assim bem difícil pelo momento mágico vivido pelo italiano em 2026.
Para Bortoleto, foi uma corrida “chata”, como ele definiu, especialmente após o safety car virtual acabar com sua chance de pontuar. Mas revelou ao ge.globo que a Audi deve trazer um pacote de melhorias já para próxima etapa, em Baku, onde a F1 iniciará uma sequência insana de três corridas em três circuitos bem diferentes: Azerbaijão, Malásia e Singapura.
Que o bom momento vivido pela F1 tenha nesta sequência tripla provas bem mais movimentadas – a interessante temporada de 2026 merece.
Perfil Rodrigo França — Foto: Infoesporte


