Fundadora de uma das maiores redes de empreendedorismo feminino do Brasil, a empresária Ana Fontes diz que seu segredo é muito simples: ser uma pessoa de verdade. A convidada do Mulheres Positivas desta semana reflete sobre sua trajetória, que contou com altos, baixos e desvios de caminho, mas sempre ancorada na criação de bons relacionamentos.Natural do interior de Alagoas, Ana começou a trabalhar aos 11 anos, fazendo bicos para as vizinhas da família. Com 14, já tinha carteira assinada e, durante quase duas décadas, construiu uma carreira sólida em uma multinacional do setor automotivo. Mas foi quando chegou ao topo que ela percebeu que o seu propósito estava em empreender. Há 16 anos, ela está à frente da Rede Mulher Empreendedora.Ana diz que não glamouriza toda a sua história. “Não foi uma jornada fácil. No início da rede, o que eu mais ouvia era: ‘Isso é uma bobagem, para que ter uma rede para mulher empreendedora? Porque não faz uma rede de todos os empreendedores’. [...] Pensei em desistir inúmeras vezes”, conta. Com duas filhas para sustentar, ela se perguntava se fazia a coisa certa.A empreendedora havia presenciado a dinâmica rígida do mundo corporativo, que exigia não apenas capacidade técnica, mas um padrão específico de profissional, ao qual ela não correspondia. Tudo era mais difícil para alguém em sua posição.De forma muito orgânica, segundo ela, teve início a rede. Ana conta que, após ser selecionada para um programa social de empreendedoras, percebeu como as mulheres nesse meio eram invisibilizadas e precisavam de espaço para se desenvolver. “Eu fui procurar na época. Empreendedorismo feminino dava traço. Mulher empreendedora dava traço. Mulheres com negócio não aparecia nada. Eu falei: ‘Gente, não é possível, essas mulheres existem, mas ninguém está falando delas’.” Foi quando a comunidade nasceu por meio de um blog. “Eu tenho uma boa comunicação, eu sou publicista e jornalista de formação, e eu falava do meu dia a dia numa linguagem muito simples e muito acessível. Em seis meses, eu tinha 100 mil mulheres seguindo esse blog”, diz Ana. Alguns anos depois, ele se tornaria o negócio que fez dela uma das mulheres mais poderosas do Brasil, segundo a revista Forbes.Na rede, ela explica que as mulheres são voluntárias e dão mentoria umas para as outras. São 3 milhões conectadas atualmente pela plataforma, na qual têm acesso a cursos e capacitações diversas, visando à autonomia financeira. O programa ainda oferece doações para mulheres em vulnerabilidade, que querem iniciar no mundo dos negócios.“Todo mundo me dizia que as mulheres não se ajudavam. E é uma grande mentira”, diz Ana. Ela conta que o que mais vê é uma mulher ajudando a outra. “Indicando o fornecedor, indicando como ela faz, como é que ela melhora, como é que ela divulga. E, para mim, essa é a força da rede, como o próprio nome diz.”Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!











